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Tragédia na Venezuela expõe colapso funerário e sanitário



Superlotação de necrotérios e cremações emergenciais revelam dimensão da crise após terremotos


Maryorin Mendez/AFP
Maryorin Mendez/AFP

Caracas vive um cenário de desespero e improviso após os dois terremotos devastadores que atingiram a Venezuela na última semana, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter. A tragédia deixou ao menos 1.430 mortos e mais de 3.000 feridos, segundo balanço oficial, além de milhares de desaparecidos sob os escombros. A Organização das Nações Unidas estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam soterradas, o que pode elevar significativamente o número de vítimas.


Nos necrotérios, a situação é crítica. O Serviço Nacional de Medicina Legal, em Caracas, recebeu mais de 200 corpos em poucos dias, e caminhonetes particulares e oficiais chegam constantemente com cadáveres envoltos em sacos e lençóis. A superlotação e o avanço da decomposição obrigam famílias a recorrer à cremação imediata, sem possibilidade de velórios. Em hospitais como o Catia la Mar, em La Guaira, corpos chegaram a ser deixados no chão, diante do colapso das unidades de saúde.


Sem serviços funerários suficientes, parentes assumem a tarefa de retirar os mortos dos escombros e transportá-los por conta própria. O odor insuportável e o estado avançado de decomposição tornam inviável qualquer cerimônia tradicional. Autoridades locais reconhecem que o sistema funerário entrou em colapso, agravando a crise humanitária.


O epicentro da destruição está no estado costeiro de La Guaira e em áreas vulneráveis da capital. Países estrangeiros e agências internacionais enviam hospitais de campanha, equipes de busca e suprimentos médicos emergenciais, numa tentativa de conter o agravamento da saúde pública. O Itamaraty confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros entre as vítimas.


A tragédia expõe não apenas a fragilidade da infraestrutura venezuelana diante de desastres naturais, mas também a urgência de uma resposta coordenada para evitar que a crise sanitária se transforme em uma catástrofe ainda maior.



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