Vereador do PT preso por elo com PCC ostenta patrimônio milionário
- Luana Valente

- há 3 dias
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Senival Moura foi detido em apartamento de luxo em São Paulo; investigação aponta aquisição de ao menos R$ 3,6 milhões em imóveis, incluindo sítio de alto padrão em Minas Gerais

O vereador paulistano Senival Moura (PT), preso na semana passada em São Paulo por suspeita de ligação com o PCC, acumula patrimônio milionário incompatível com sua renda oficial. Entre os bens, está um sítio de alto padrão em Extrema (MG), avaliado pela Polícia Civil como parte de um esquema de lavagem de dinheiro.
Na quinta-feira, 25 de junho, Moura foi detido em seu apartamento no bairro do Tatuapé, zona leste da capital paulista. O imóvel, declarado por ele à Justiça Eleitoral em 2024 por R$ 820 mil, é anunciado em imobiliárias por valores entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,8 milhões. A defesa afirma que a compra foi feita na planta por cerca de R$ 600 mil, em parcelas, e que a valorização decorre apenas das condições de mercado.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Última Parada, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Deic, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da cidade. Moura é acusado de ser o “dono oculto” da empresa Transunião, concessionária responsável por 50 linhas de ônibus, usada para lavar dinheiro da facção criminosa.
Além do apartamento milionário, a Polícia Civil identificou que Moura possui ao menos R$ 3,6 milhões em ativos imobiliários, incluindo o sítio em Extrema (MG). O imóvel foi declarado por apenas R$ 200 mil como terreno rural, mas os investigadores o classificam como de “elevado padrão”. Mensagens interceptadas pela polícia mencionam valores acertados “com o presidente em Extrema”, sendo “presidente” um dos apelidos atribuídos ao vereador.
O sítio, segundo a defesa, foi adquirido há cerca de duas décadas e construído de forma gradual. Os advogados alegam que não houve atualização patrimonial nas declarações eleitorais, o que explicaria a discrepância entre os valores oficiais e os apontados pela investigação.
Moura, em seu sexto mandato como vereador, ocupava cargos de destaque na Câmara Municipal de São Paulo, como presidente da Comissão de Trânsito e primeiro-secretário da Mesa Diretora. Após a prisão, pediu afastamento do PT para se dedicar à defesa, alegando não querer vincular o caso ao partido.
A investigação contra Moura ganhou força após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, em 2020. Documentos e mensagens coletados desde então apontam que decisões financeiras e empresariais da concessionária dependiam da anuência do vereador, tratado por codinomes como “presidente” e “véio”.




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