Vereador do PT é preso em operação que investiga elo entre PCC e empresa de ônibus em São Paulo
- Luana Valente

- há 1 dia
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Senival Moura é apontado pelo Ministério Público como integrante oculto da Transunião, concessionária suspeita de servir à facção criminosa para lavagem de dinheiro

O vereador Senival Moura (PT), em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, foi preso nesta quinta-feira (25) durante a Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A ação apura a ligação da empresa de ônibus Transunião com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e cumpriu mais de cem mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do estado e em Minas Gerais.
Segundo os promotores, há provas de que a Transunião foi sistematicamente utilizada pela facção para fins ilícitos, incluindo lavagem de dinheiro e repasse de recursos a integrantes do grupo. A investigação aponta que Moura, embora não figurasse oficialmente como sócio, seria um dos donos ocultos da empresa e teria papel de comando dentro do esquema. Em mensagens interceptadas, o parlamentar era identificado por codinomes como “presidente”, “véio” e “vereador”.
A Transunião, que opera linhas na Zona Leste da capital, apresentou crescimento abrupto em seu capital social, saltando de R$ 100 mil para R$ 50 milhões sem origem clara dos recursos. Em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano. Para o MP-SP, parte dessa receita era desviada por meio de um núcleo paralelo que distribuía dinheiro diretamente para membros do PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações ligados ao esquema. Também ordenou o afastamento da atual direção da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo para que avalie medidas administrativas e regulatórias. A gestão municipal informou que aguarda notificação oficial para decidir sobre o futuro da concessionária.
Moura, que iniciou sua trajetória política na Zona Leste nos anos 1970 ligado ao transporte alternativo, ocupa atualmente a função de primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara e preside a Comissão de Trânsito e Transporte. Sua prisão expõe a infiltração do crime organizado no setor de mobilidade urbana e abre uma crise política no Legislativo paulistano. Até o momento, a defesa do vereador não se manifestou.




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