Brasil é colocado por Marco Rubio no grupo de países “não amigáveis” aos EUA
- Luana Valente

- 2 de jun.
- 2 min de leitura
Declaração do secretário de Estado norte-americano ocorre em meio a tensões comerciais e diplomáticas entre Brasília e Washington

Em audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, realizada nesta terça-feira, 2, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o Brasil não integra o grupo de países considerados “amigáveis” a Washington. Na mesma fala, Rubio colocou o país ao lado de Cuba, Nicarágua, Venezuela e Colômbia, classificando-os como nações que não se alinham aos interesses norte-americanos na região.
A declaração surge em um momento de atrito crescente entre os dois países. O governo Donald Trump anunciou recentemente tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, medida que afeta setores estratégicos da economia, embora itens como café, carne bovina e frutas tenham ficado de fora. Além disso, os Estados Unidos decidiram que irão classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Rubio justificou sua posição mencionando o ciclo eleitoral brasileiro e apontando que a política interna influencia diretamente a relação bilateral. Ele também criticou o presidente colombiano Gustavo Petro, reforçando que Washington enfrenta desafios em sua estratégia para recuperar influência na América Latina após duas décadas de avanço da presença chinesa na região.
“Agora temos nesse hemisfério uma coalizão de países amigáveis – mais de 12 – que se alinharam para trabalhar não só em questões de segurança que todos temos em comum, mas também na prosperidade econômica, que vai de mãos dadas. É uma história incrível que, basicamente excluindo Nicarágua, Cuba e Venezuela – que continua com alguns desafios- e claro, também o Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e de certa maneira o governo atual na Colômbia, pelo menos o presidente tem sido problemático – agora é uma região cheia de aliados americanos, líderes amigáveis aos EUA e uma direção amigável aos EUA”, afirmou.
A resposta brasileira veio rapidamente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que Rubio é “anti-América Latina” e “não gosta do Brasil”.
A inclusão do Brasil no mesmo grupo de países historicamente em conflito com os Estados Unidos é vista como um dos posicionamentos mais incisivos já feitos por um alto escalão norte-americano em relação a Brasília.




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