Desconfiança no STF supera confiança, apontam Datafolha e Quaest
- Luana Valente

- 12 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de mar.
Escândalo envolvendo o Banco Master e supostas ligações de ministros da Corte intensificam crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal.

As pesquisas mais recentes dos institutos Datafolha e Quaest revelam uma mudança inédita na percepção pública sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Pela primeira vez na série histórica, a taxa de desconfiança supera a de confiança na Corte.
Segundo a Quaest, 49% dos entrevistados afirmaram não confiar no STF, enquanto 43% disseram confiar. Já o Datafolha registrou queda de sete pontos percentuais na confiança desde agosto de 2025, consolidando o avanço da desconfiança.
O comparativo histórico mostra que, em agosto de 2025, a confiança no STF ainda era ligeiramente superior, com 50% dos brasileiros declarando confiar na instituição contra 47% que diziam não confiar. No entanto, em março de 2026, os números se inverteram: a confiança recuou para 43%, enquanto a desconfiança avançou para 49%. Essa virada marca a primeira vez que a desconfiança ultrapassa a confiança na série de levantamentos.
O movimento ocorre em meio ao escândalo do Banco Master, que trouxe à tona supostas ligações de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro. As revelações, que ganharam força no início de 2026, levantaram questionamentos sobre a imparcialidade da Corte e ampliaram críticas quanto à sua vulnerabilidade a interesses privados.
Especialistas avaliam que o desgaste da imagem do STF pode ter impacto direto em decisões de grande relevância no ano eleitoral, como julgamentos envolvendo regras do pleito e figuras públicas. A crise de credibilidade também alimenta discursos políticos que defendem reformas institucionais ou maior controle sobre o Judiciário.
Com a confiança em queda e a desconfiança em alta, o Supremo enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente, em um cenário que promete intensificar o debate sobre o papel da Corte na democracia brasileira.




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