Encontro entre Lula e Trump gera críticas e revelações de Paulo Figueiredo sobre bastidores e falta de resultados
- Luana Valente

- 10 de mai.
- 3 min de leitura
Comentarista afirma que reunião na Casa Branca foi articulada por Joesley Batista, contornou autoridades americanas e terminou sem avanços concretos para o Brasil

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump, realizado na Casa Branca continua repercutindo no cenário político brasileiro e internacional. Enquanto o governo brasileiro classificou a reunião como produtiva e destacou a criação de um grupo de trabalho comercial entre os dois países, o jornalista e comentarista político Paulo Figueiredo Filho apresentou uma versão marcada por críticas, bastidores tensos e ausência de resultados concretos para o Brasil.
Segundo Figueiredo, a articulação do encontro teve participação decisiva do empresário Joesley Batista, controlador da J&F. O comentarista afirmou que o empresário teria utilizado sua influência junto ao entorno político de Trump, construída por meio de doações de campanha, para viabilizar a reunião.
“Eu disse exatamente quem tinha marcado esse encontro, Joesley Batista. Eu disse primeiro, e depois a Reuters e a Folha de São Paulo confirmaram, inclusive monitorando o avião dele chegando em Washington, D.C.”, afirmou Paulo Figueiredo.
O comentarista também alegou que a diplomacia tradicional americana teria sido contornada durante a organização do encontro. De acordo com ele, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, não teria sido informado previamente sobre a agenda presidencial.
“Nem Marco Rubio foi avisado. Aproveitaram justamente a data em que o secretário de Estado estaria no Vaticano encontrando com o Papa, e a Casa Branca só confirmou a reunião na véspera”, explicou Figueiredo.
Outro ponto destacado pelo jornalista foi o protocolo adotado pela Casa Branca na recepção ao presidente brasileiro. Segundo ele, Lula teria recebido um tratamento considerado abaixo do padrão normalmente reservado a chefes de Estado em visitas oficiais aos Estados Unidos.
“O Lula foi recebido pela entrada de trabalho da Casa Branca, não na porta principal, sem imprensa. Também não foi convidado a se hospedar na Blair House, onde ficam os líderes estrangeiros em visitas importantes a presidentes americanos, como o Bolsonaro ou até o meu avô Figueiredo ficaram”, relatou. “O Lula teve que ficar lá na Embaixada Brasileira, e o simbolismo começou ali.”
Ainda de acordo com Figueiredo, o clima nos bastidores da visita foi considerado incomum até mesmo pela imprensa que acompanhava a agenda presidencial.
“A imprensa, chamada por Lula pra coletiva, ficou esperando horas e horas. A Casa Branca abriu uma transmissão ao vivo no YouTube. Três horas se passaram. A coletiva foi sendo adiada. Todo mundo reportava um clima estranho, uma situação inédita”, disse o comentarista.
Paulo Figueiredo também minimizou os resultados práticos do encontro, classificando a reunião como “um grande nada” e afirmando que o governo brasileiro não conseguiu obter concessões concretas da administração Trump. Entre os temas discutidos, segundo ele, estaria a intenção dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas internacionais.
Na avaliação do comentarista, essa classificação permitiria ações mais incisivas dos Estados Unidos em território brasileiro sem necessidade de coordenação direta com o governo federal — algo que, segundo Figueiredo, Lula tentaria evitar politicamente.
O jornalista ainda criticou a estratégia diplomática adotada pelo presidente brasileiro, sugerindo que a aproximação com Trump teria ocorrido por necessidade política e interesses internos do governo brasileiro. Para ele, o encontro simbolizou uma tentativa de aproximação com um adversário político histórico sem que houvesse ganhos concretos para o país.




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