Flávio Bolsonaro usa camiseta com crítica ao judiciário em evento com Moro e Dallagnol
- Luana Valente

- 31 de mai.
- 2 min de leitura
Frase “Curitiba prendeu, Brasília soltou” remete à Lava Jato e reforça discurso político em meio à polarização nacional

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou atenção durante evento político em Curitiba ao vestir uma camiseta com a frase “Curitiba prendeu, Brasília soltou”. A mensagem faz referência direta à Operação Lava Jato, conduzida na capital paranaense, e às decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anularam condenações e determinaram solturas de investigados.
O ato ocorreu na sexta-feira (29), durante o lançamento de pré-candidaturas ao Senado e ao governo do Paraná, com a presença de Sérgio Moro (PL-PR), ex-juiz da Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). A escolha da camiseta foi interpretada como um gesto político estratégico, reforçando a defesa da operação e crítica às cortes superiores.
A frase estampada na peça sintetiza a visão de apoiadores da Lava Jato: “Curitiba prendeu” remete às prisões e condenações realizadas pela força-tarefa, enquanto “Brasília soltou” critica decisões que, por essa percepção, teriam desfeito o trabalho da operação. Um dos exemplos mais emblemáticos foi a libertação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2019, após decisão do STF sobre prisão em segunda instância.
A repercussão política foi imediata. O gesto reforçou a relação de Flávio Bolsonaro com Moro e Dallagnol, que são figuras centrais da Lava Jato, e busca mobilizar a base bolsonarista em torno do discurso de combate à corrupção. A iniciativa também pode ser inserida na estratégia eleitoral do senador, que vem adotando ações de forte apelo simbólico.
Em novembro de 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a prisão só poderia ocorrer após o esgotamento de todos os recursos, o chamado trânsito em julgado. Com isso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a prisão. Mais tarde, a própria Corte anulou as sentenças ligadas à Operação Lava Jato, alegando falhas processuais e falta de imparcialidade nos julgamentos.




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