Irmão de deputado do PT é indiciado em esquema bilionário contra aposentados do INSS
- Luana Valente

- há 4 dias
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Polícia Federal aponta fraude de R$ 4 bilhões envolvendo dirigentes da Contag e ex-integrantes do INSS

A Polícia Federal indiciou Aristides Veras dos Santos, ex-presidente da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e irmão do deputado Carlos Veras (PT-PE), no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados do INSS. Segundo relatório da investigação, entre 2019 e 2024 foram desviados mais de R$ 4 bilhões por meio de descontos ilegais em benefícios previdenciários. “A Contag arrecadou cerca de R$ 3,4 bilhões em descontos de aposentadorias entre 2016 e 2025 e seguiu faturando mesmo após alertas de irregularidades”, registrou a Coluna do Estadão.
O inquérito aponta que a fraude consistia na inserção de dados falsos nos sistemas do INSS, permitindo repasses indevidos a entidades e empresas. A PF identificou movimentações fracionadas que somaram mais de R$ 26 milhões destinados a locadoras de veículos, agências de viagens e empresas de buffet, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entre os indiciados estão Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS; Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS; André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios; além de dirigentes da Contag como Aristides Veras, Edjane Rodrigues e Thaísa Daiane. Todos responderão por organização criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações, crimes cujas penas podem variar de 2 a 12 anos de prisão.
O caso tem repercussão política pelo vínculo histórico da Contag com o PT, a CUT e o MST. A entidade participou de reuniões recentes com o presidente Lula e ministros do governo, reforçando sua proximidade com o Executivo. “O fato de Aristides Veras ser irmão de um deputado do PT adiciona um componente político à investigação”, destacou reportagem da Folha de S.Paulo. Até o momento, não há indícios de envolvimento direto do parlamentar Carlos Veras.
O relatório da PF foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que decidirá se o caso seguirá para denúncia da Procuradoria-Geral da República ou se será arquivado.




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