Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após operação da PF
- Luana Valente

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Senador baiano se reuniu com Lula e anunciou saída em comum acordo; investigação apura relação com banqueiro Augusto Lima, ligado ao Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) que deixará a liderança do governo no Senado, após ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A decisão foi tomada em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, e comunicada pelo próprio Wagner como um afastamento “em comum acordo”. O ex-líder petista afirmou ainda que pretende se dedicar à sua defesa, na tentativa de “provar inocência”.
A operação da PF, deflagrada em 18 de junho, investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Endereços ligados ao senador em Salvador e Brasília foram alvo de mandados de busca e apreensão, resultando na coleta de valores em espécie, moedas estrangeiras e relógios de luxo. Segundo os investigadores, Wagner teria sido beneficiário de vantagens econômicas, incluindo repasses milionários a familiares e a compra de um apartamento de alto padrão.
A saída de Wagner da liderança ocorre em meio a pressões internas no PT e entre aliados, que temiam que o escândalo contaminasse a articulação política do governo e a campanha de Lula. O nome mais cotado para assumir a função é o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, visto como figura de confiança do presidente e capaz de reorganizar a base governista no Senado. A mudança abre espaço para rearranjos na condução das negociações legislativas, já que Wagner era considerado um dos principais conselheiros de Lula no Congresso.
O senador nega qualquer irregularidade e afirma que os valores apreendidos têm origem legal. Sua defesa já recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra as medidas da operação, alegando falhas na decisão que autorizou as buscas. Enquanto isso, o governo busca recompor sua liderança no Senado, mesmo em meio a um momento complexo.




Comentários