Jaques Wagner deve deixar liderança do governo no Senado após operação da PF
- Luana Valente

- 22 de jun.
- 2 min de leitura
Pressão política e investigações sobre supostas vantagens indevidas tornam insustentável a permanência do senador na articulação governista

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve se afastar da liderança do governo no Senado após ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo benefícios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. A investigação aponta que Wagner teria recebido vantagens como imóveis e valores em espécie, o que provocou forte repercussão política em Brasília.
A pressão pela saída do senador cresceu dentro do próprio PT e entre aliados do Palácio do Planalto. Parlamentares como Rogério Correia (PT-MG) e o ex-deputado José Genoino defenderam publicamente que Wagner se afaste para preservar o governo e concentrar esforços em sua defesa. A avaliação é de que sua permanência transformaria uma investigação individual em um problema coletivo para a base governista.
Wagner nega irregularidades e afirma que todos os seus bens estão devidamente declarados às autoridades. Em entrevista, declarou que só deixaria o cargo se o presidente Lula pedisse diretamente: “Até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele”. Apesar da resistência inicial, interlocutores próximos relatam que o senador já admite a necessidade de saída para reduzir o desgaste político.
O afastamento de Wagner abre espaço para uma recomposição da liderança governista no Senado, em um momento estratégico para o Planalto. A crise ocorre às vésperas da intensificação das articulações para as eleições de 2026, e a substituição é vista como inevitável para evitar que o caso monopolize a agenda política.
A decisão final deve ser formalizada nos próximos dias, e a expectativa é de que Wagner apresente o gesto como uma forma de se dedicar à própria defesa e proteger a imagem do governo. Enquanto isso, o Planalto avalia nomes para assumir a liderança e garantir a continuidade da articulação política no Congresso.




Comentários