Keiko Fujimori é declarada presidente eleita do Peru
- Luana Valente

- 30 de jun.
- 2 min de leitura
Vitória apertada encerra disputa polarizada e coloca o país diante de novos desafios após uma década de instabilidade política

O Jurado Nacional de Eleições (JNE) oficializou nesta semana a vitória de Keiko Fujimori na corrida presidencial peruana, após uma apuração marcada por tensão e contestação. A candidata do partido Força Popular obteve pouco mais de 50% dos votos válidos, superando o adversário por uma margem inferior a 50 mil votos. O resultado confirma o retorno do fujimorismo ao poder, em um país que atravessa uma das fases mais turbulentas de sua história recente.
A eleição ocorreu em meio a um cenário de forte instabilidade institucional: o Peru teve oito presidentes na última década, muitos deles afastados por processos de impeachment ou renúncia diante de crises políticas. Esse histórico reforça a percepção de fragilidade da governabilidade e aumenta a pressão sobre a nova mandatária, que assume com um Congresso fragmentado e sem maioria própria.
Em seu discurso após a proclamação oficial, Keiko Fujimori reconheceu o desafio de governar um país dividido e prometeu buscar a reconciliação nacional. “O Peru precisa de estabilidade e diálogo”, afirmou, em referência às manifestações que marcaram o período de apuração e às denúncias de supostas irregularidades levantadas pela oposição.
Entre os principais desafios de seu governo estão a insegurança pública, que se agravou nos últimos anos com o aumento das extorsões e da criminalidade organizada, e a fragilidade econômica, que exige medidas para recuperar a confiança dos investidores e atender às demandas sociais. Além disso, o peso do legado de seu pai, Alberto Fujimori — lembrado tanto por estabilizar a economia nos anos 1990 quanto por condenações por corrupção e violações de direitos humanos — continua a dividir a opinião pública.
A vitória de Keiko Fujimori, após três tentativas frustradas em eleições anteriores, representa um marco histórico: ela se torna a primeira mulher eleita presidente por voto direto no Peru. Contudo, o desafio maior será provar que sua gestão pode romper o ciclo de instabilidade que tem marcado a política peruana e evitar que seu mandato se torne mais um capítulo da sucessão de crises que abalaram o país nos últimos dez anos.




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