Lula libera R$ 520 milhões em propaganda antes da eleição
- Luana Valente

- há 3 dias
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Montante é mais que o dobro do gasto por Bolsonaro em 2022

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a liberação de R$ 520 milhões para campanhas publicitárias institucionais no primeiro semestre de 2026, valor que representa mais que o dobro dos R$ 213,5 milhões empenhados por Jair Bolsonaro em igual período de 2022. A medida ocorre às vésperas do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, que proíbe a veiculação de propaganda oficial a partir de julho, salvo em casos de grave necessidade pública.
Segundo dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), os recursos foram distribuídos em 1.454 anúncios ao longo do semestre, abrangendo 49 temas distintos e veiculados em diferentes mídias. O Grupo Globo aparece como principal destinatário dos valores pagos pela publicidade oficial. A Secom afirma que todas as ações respeitam os limites legais e que comparações entre diferentes governos devem considerar o contexto de cada ano, como políticas públicas em andamento e campanhas de utilidade pública.
O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que o governo teria ultrapassado o teto permitido em cerca de R$ 42 milhões. Pela lei, os gastos com propaganda em ano eleitoral devem se limitar à média das despesas dos três anos anteriores, corrigida pela inflação. O governo, no entanto, sustenta que atua em “estrita observância à legislação eleitoral”.
A ampliação dos gastos reacende o debate sobre o uso da máquina pública em ano de eleição. Analistas apontam que Lula, como presidente e candidato à reeleição, se beneficia da visibilidade institucional antes do chamado defeso eleitoral, período em que a propaganda oficial fica suspensa. Além disso, o governo tem lançado medidas consideradas um “pacote de bondades”, como programas de renegociação de dívidas e benefícios sociais, interpretados por críticos como estratégias para fortalecer sua narrativa junto ao eleitorado.
Em 2022, Bolsonaro concentrou sua publicidade institucional no primeiro semestre, antes da suspensão determinada pela lei. Agora, Lula repete a estratégia, mas com valores significativamente maiores, o que intensifica a disputa política e jurídica sobre os limites da propaganda em ano de eleição.




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