Lula aconselhou Vorcaro a rejeitar venda do Banco Master ao BTG
- Luana Valente

- 18 de mai.
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Documentos da Polícia Federal revelam reunião no Planalto em que o presidente teria incentivado o empresário a resistir à proposta de André Esteves, em meio à crise da instituição e às investigações da Operação Compliance Zero

Em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para discutir o futuro da instituição financeira. A reunião, que contou com a presença de ministros como Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo — então indicado para assumir a presidência do Banco Central — e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado como consultor do Master, foi revelada em documentos da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Na ocasião, Vorcaro buscava orientação sobre uma proposta de venda do Banco Master ao BTG Pactual, de André Esteves, pelo valor simbólico de R$ 1. Lula teria aconselhado o empresário a recusar a oferta, demonstrando entusiasmo com o discurso de enfrentamento à concentração bancária no país. Segundo os registros, o presidente também criticou o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o próprio Esteves, reforçando sua posição contrária à negociação.
O Banco Master já havia tentado uma fusão com o BRB (Banco de Brasília), mas o negócio foi vetado pelo Banco Central em setembro de 2025. Pouco depois, em novembro do mesmo ano, a instituição foi submetida à liquidação extrajudicial. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro pediu sigilo sobre a proposta de venda ao BTG, o que ampliou as suspeitas em torno das operações do banco.
O episódio expôs não apenas a fragilidade financeira do Master, mas também os bastidores da relação entre o governo e o setor bancário. A presença de Galípolo na reunião foi interpretada por Vorcaro como sinal de apoio do governo à continuidade da instituição, ainda que o desfecho tenha sido a liquidação meses depois. Para analistas, o conselho de Lula reflete uma tentativa de evitar maior concentração bancária e preservar a diversidade do sistema financeiro, em um momento marcado por investigações e tensões políticas.




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