Marinha alerta governo Lula sobre bloqueio de orçamento
- Luana Valente

- 27 de jul.
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Força Naval pede recomposição de R$ 1,43 bilhão para evitar prejuízos em programas estratégicos e operações de defesa nacional

A Marinha do Brasil enviou uma carta ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que não sejam mantidos os bloqueios em seu orçamento, que somam R$ 1,43 bilhão. O documento, encaminhado ao Ministério da Defesa em julho, alerta que o contingenciamento ameaça diretamente programas estratégicos e compromete a capacidade operacional da Força Naval.
Segundo a Marinha, o corte de recursos pode afetar iniciativas como o Programa Nuclear da Marinha (PNM), o Programa de Submarinos (Prosub) e o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), além de contratos de mísseis e sistemas de armas. Também há risco de impacto em pesquisas científicas na Antártica, na manutenção da frota e na reposição de munições.
O bloqueio faz parte de um ajuste fiscal mais amplo. Em maio de 2026, o governo anunciou contingenciamentos que chegaram a R$ 23,7 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões apenas no Ministério da Defesa. Em julho, houve liberação parcial de R$ 5,7 bilhões, mas ainda restam R$ 17,9 bilhões congelados.
Na avaliação da Marinha, a medida pode reduzir gradualmente a presença naval em águas brasileiras e limitar a capacidade de resposta contra crimes transfronteiriços. Projetos como o navio-patrulha Miramar e as fragatas da Classe Tamandaré correm risco de adiamento ou paralisação.
A situação expõe a tensão entre o cumprimento do arcabouço fiscal e a necessidade de manter investimentos estratégicos em defesa e soberania. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo está “religiosamente cumprindo o limite de despesas”, mas a pressão das Forças Armadas evidencia o impacto político e institucional da decisão.




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