O cerco do Ministério Público à vice-governadora Hana
- Luana Valente

- 28 de jan.
- 2 min de leitura
Investigação revela uso de eventos oficiais para promoção pessoal e abre debate sobre abuso de poder político

Belém vive dias de tensão política. O parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), assinado pelo procurador regional Bruno Araújo Soares Valente, trouxe à tona acusações que podem redefinir o cenário das eleições de 2026 no Pará. A vice-governadora Hana Ghassan Tuma é apontada como responsável por transformar atos administrativos em palcos de promoção pessoal, prática que, segundo o MPE, configura propaganda antecipada e abuso de autoridade.
O procurador foi categórico ao escrever: “É público e notório que a ré, atual vice-governadora do Pará, é pré-candidata ao governo do estado do Pará nas eleições de outubro de 2026 para dar continuidade à gestão do grupo político do governador Helder Barbalho, de maneira que há algum tempo a imagem e nome dela vêm sendo massificados indevidamente em atos oficiais do governo do Pará, a violar os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade que devem reger os atos do poder público”.
Nos bastidores, a denúncia é vista como um teste de força entre o Ministério Público e o grupo político que domina o estado há mais de uma década. Valente reforça que “os atos administrativos do governo do Pará não deveriam ostentar a imagem, nome ou qualquer outro elemento identificador de qualquer agente público, e, com maior razão, da vice-governadora que é pré-candidata”. O programa estadual Por todas elas é citado como exemplo de “personificação indevida com a imagem e nome da ré por meio de vários cartazes e banners dispostos em posição bem visível, como outdoors, e local de evento”.
A investigação detalha episódios emblemáticos. Na inauguração da ponte de Outeiro, em outubro de 2025, o procurador relata que o ato “mais pareceu ato de campanha eleitoral para a vice-governadora do que uma simples entrega de obra pública para a população”, já que o local estava tomado por bandeiras com o nome e a imagem de Hana, além de apoiadores uniformizados com camisetas e bonés personalizados. Outro momento citado foi o Círio de Nazaré de 2025, quando milhares de romeiros receberam ventarolas estampando a vice-governadora.
A denúncia não apenas ameaça a candidatura de Hana, mas também expõe fissuras na estratégia do grupo político liderado por Helder Barbalho. Se confirmadas as acusações, a vice-governadora poderá enfrentar multas milionárias e até a cassação de eventual registro de candidatura. Analistas apontam que o caso pode abrir espaço para adversários explorarem o discurso de combate ao uso da máquina pública.
O processo segue para análise no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). A decisão terá peso não apenas jurídico, mas também simbólico, já que pode se tornar um marco na fiscalização da impessoalidade administrativa em períodos pré-eleitorais. Até o momento, a defesa de Hana não se pronunciou, mas aliados políticos já articulam estratégias para minimizar os danos à imagem da vice-governadora.




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