PF aponta atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master
- Luana Valente

- 18 de jun.
- 2 min de leitura
Investigação indica recebimento de imóveis e viagens em troca de apoio a pautas estratégicas no Congresso

A Polícia Federal afirmou que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, teria recebido vantagens indevidas como imóveis e viagens internacionais em troca de atuar em favor do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, em pautas estratégicas no Congresso. A apuração integra a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho de 2026, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Durante a operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e Salvador. A PF apreendeu US$ 55 mil e 33,5 mil euros em espécie, além de relógios de alto valor. Segundo os investigadores, Wagner teria recebido um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador, além de viagens em jatinhos particulares e ingressos para um show internacional em Los Angeles, pagos pela gestora Reag Investimentos. Há ainda suspeitas de repasses de cerca de R$ 11 milhões à empresa da esposa de seu enteado, Bonnie Bonilha, por meio de contratos de consultoria ligados ao Master.
Os investigadores apontam que Wagner teria atuado em emendas e projetos estratégicos para o setor financeiro, como a MP 1.106/2022, que ampliou a margem consignável de crédito para trabalhadores e aposentados, e a PEC 65/2023, relacionada ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Também teria participado de articulações em torno da compra do Banco Master pelo BRB, favorecendo o grupo de Vorcaro.
Em sua defesa, Wagner afirma que não é réu nem foi denunciado e que está à disposição das autoridades. Ele sustenta que os valores apreendidos são fruto de diárias oficiais do Senado e recursos adquiridos legalmente para viagens internacionais. Sobre o apartamento, disse que pediu a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, para adquiri-lo com a intenção de comprá-lo futuramente para a filha, mas que a transação não se concretizou.
O caso tem forte repercussão política por envolver um senador próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líder do governo no Senado. A Operação Compliance Zero já atingiu outros nomes de peso, como Ciro Nogueira e Cláudio Castro, em fases anteriores.




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