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Policial infiltrado da “milícia do Vorcaro” mantinha arsenal e arma irrastreável, aponta PF



Agente Anderson Wander, preso na Operação Compliance Zero, tinha mais de mil munições, inclusive de fuzil, e uma arma sem registro oficial, considerada “não existente” pelo Estado. Caso expõe infiltração de policiais em organização criminosa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


Reprodução
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A Polícia Federal revelou que o agente Anderson Wander, acusado de atuar como infiltrado na chamada “milícia do Vorcaro”, mantinha em sua posse um arsenal que incluía mais de 1,2 mil munições, sendo 182 de fuzil, além de uma arma considerada “irrastreável” — sem registro oficial e com numeração raspada. O material foi apreendido em sua residência e em um armário no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero.


Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, Wander fazia parte do “braço policial informacional” da organização criminosa, repassando dados sigilosos e protegendo interesses do grupo. Entre as armas encontradas, apenas uma era funcional e registrada pela corporação; as demais, incluindo um revólver Taurus adulterado, não tinham documentação.


O caso se insere nas investigações sobre a chamada Turma, estrutura paramilitar financiada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, o grupo reunia policiais federais, operadores do jogo do bicho e milicianos, com acesso a snipers, carros blindados e celulares estrangeiros para dificultar rastreamento. Estima-se que Vorcaro desembolsava cerca de R$ 400 mil mensais para manter policiais e integrantes da milícia em sua folha de pagamento.


Além da infiltração institucional, a milícia teria utilizado golpes digitais como phishing para acessar sistemas da PF, da Procuradoria-Geral da República e até da Interpol, monitorando investigações e intimidando adversários. A prisão de Wander e de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, reforça a gravidade da operação, que expõe vulnerabilidades dentro da própria Polícia Federal e o risco de armas irrastreáveis em mãos de agentes infiltrados.


O ministro André Mendonça, do STF, destacou que a atuação de Wander representava uma ameaça direta à segurança pública e à credibilidade das instituições. O episódio amplia a repercussão da Operação Compliance Zero, que revelou um esquema de milícia privada com ramificações em órgãos oficiais e métodos sofisticados de intimidação.



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