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Proprietário de terreno no Ceará é preso após maior apreensão de maconha do estado


João Holanda Neto gravou vídeo pedindo que arrendatário se entregasse antes de ser detido pela Polícia Civil


Reprodução com remodelagem na IA
Reprodução com remodelagem na IA

O Ceará registrou a maior apreensão de maconha de sua história quando a Polícia Civil encontrou cerca de 290 mil pés da droga em um terreno localizado em Acopiara. O proprietário da área, João Holanda Neto, foi preso temporariamente por 30 dias, acusado de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Antes de se apresentar às autoridades, ele divulgou um vídeo emocionado em que apelava ao arrendatário da fazenda para assumir a responsabilidade: “Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos”, disse chorando. Em seguida, complementou: “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente. Como você faz uma coisa dessa comigo? Você é de casa. Se eu soubesse que era para uma coisa dessa comigo, eu jamais faria [o contrato].”


Segundo a defesa, João havia arrendado o terreno em outubro de 2025 e não teria mais frequentado a área desde então, limitando-se a visitas à frente da propriedade. O contrato, formalizado em janeiro de 2026, teria transferido o controle das atividades rurais ao arrendatário. Familiares reforçam que João enfrentava um diagnóstico de câncer e, por isso, não tinha condições de supervisionar o gado ou as plantações. O sobrinho, Fabrício Holanda, declarou que o tio “não tinha conhecimento da plantação” e que a família, incluindo a mãe, a ex-vereadora Luiza Rufino, não possui qualquer envolvimento com o caso.


A repercussão política foi imediata. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) e o vereador Tancredo dos Santos (PL-CE) visitaram o terreno após denúncias de falhas na vigilância policial, já que os pés de maconha permaneceram intactos dias após a descoberta, constatando as irregularidades na custódia da plantação. Diante das críticas, a Secretaria da Segurança Pública e a Controladoria Geral de Disciplina abriram investigações internas para apurar possíveis negligências na operação.


Em posicionamento divulgado nas redes sociais, a defesa de João Holanda Neto reforçou que ele se apresentou voluntariamente, mesmo ciente da possibilidade de prisão: “Sendo um dos donos da terra, comparecendo por vontade própria para oitiva (sabendo da possibilidade de 99% da existência de Mandado de Prisão), cumprirá prisão temporária de 30 (trinta) dias, enquanto as autoridades policiais procuram o arrendatário, a pessoa de Cristiano (conforme comprovado em Contrato de Arrendamento averbado em Cartório e entregue ao delegado encarregado do caso).” O comunicado também criticou julgamentos precipitados: “Que os especuladores aguardem o devido processo legal e tenham cuidado ao realizar julgamento antecipado no ‘tribunal da internet’. Sr. João Neto e sua família merecem respeito e é isso que pedimos, mais uma vez.” A nota conclui afirmando que “a investigação do caso da plantação de maconha em fazenda do município de Acopiara segue de forma séria e comprometida pela PCCE.”


Enquanto a defesa destaca sobre a inocência de João Holanda Neto, o caso segue em investigação e expõe fragilidades tanto na fiscalização rural quanto na condução das ações policiais.



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