Proprietário de terreno no Ceará é preso após maior apreensão de maconha do estado
- Luana Valente

- há 26 minutos
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João Holanda Neto gravou vídeo pedindo que arrendatário se entregasse antes de ser detido pela Polícia Civil

O Ceará registrou a maior apreensão de maconha de sua história quando a Polícia Civil encontrou cerca de 290 mil pés da droga em um terreno localizado em Acopiara. O proprietário da área, João Holanda Neto, foi preso temporariamente por 30 dias, acusado de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Antes de se apresentar às autoridades, ele divulgou um vídeo emocionado em que apelava ao arrendatário da fazenda para assumir a responsabilidade: “Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos”, disse chorando. Em seguida, complementou: “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente. Como você faz uma coisa dessa comigo? Você é de casa. Se eu soubesse que era para uma coisa dessa comigo, eu jamais faria [o contrato].”
Segundo a defesa, João havia arrendado o terreno em outubro de 2025 e não teria mais frequentado a área desde então, limitando-se a visitas à frente da propriedade. O contrato, formalizado em janeiro de 2026, teria transferido o controle das atividades rurais ao arrendatário. Familiares reforçam que João enfrentava um diagnóstico de câncer e, por isso, não tinha condições de supervisionar o gado ou as plantações. O sobrinho, Fabrício Holanda, declarou que o tio “não tinha conhecimento da plantação” e que a família, incluindo a mãe, a ex-vereadora Luiza Rufino, não possui qualquer envolvimento com o caso.
A repercussão política foi imediata. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) e o vereador Tancredo dos Santos (PL-CE) visitaram o terreno após denúncias de falhas na vigilância policial, já que os pés de maconha permaneceram intactos dias após a descoberta, constatando as irregularidades na custódia da plantação. Diante das críticas, a Secretaria da Segurança Pública e a Controladoria Geral de Disciplina abriram investigações internas para apurar possíveis negligências na operação.
Em posicionamento divulgado nas redes sociais, a defesa de João Holanda Neto reforçou que ele se apresentou voluntariamente, mesmo ciente da possibilidade de prisão: “Sendo um dos donos da terra, comparecendo por vontade própria para oitiva (sabendo da possibilidade de 99% da existência de Mandado de Prisão), cumprirá prisão temporária de 30 (trinta) dias, enquanto as autoridades policiais procuram o arrendatário, a pessoa de Cristiano (conforme comprovado em Contrato de Arrendamento averbado em Cartório e entregue ao delegado encarregado do caso).” O comunicado também criticou julgamentos precipitados: “Que os especuladores aguardem o devido processo legal e tenham cuidado ao realizar julgamento antecipado no ‘tribunal da internet’. Sr. João Neto e sua família merecem respeito e é isso que pedimos, mais uma vez.” A nota conclui afirmando que “a investigação do caso da plantação de maconha em fazenda do município de Acopiara segue de forma séria e comprometida pela PCCE.”
Enquanto a defesa destaca sobre a inocência de João Holanda Neto, o caso segue em investigação e expõe fragilidades tanto na fiscalização rural quanto na condução das ações policiais.




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