STJ instaura sindicância para apurar denúncia de assédio contra ministro Marco Buzzi
- Luana Valente

- 5 de fev.
- 2 min de leitura
Reunião extraordinária expôs tensão interna e levou à decisão unânime de investigar caso envolvendo jovem de 18 anos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) realizou uma reunião extraordinária e reservada para discutir a denúncia de assédio sexual contra o ministro Marco Aurélio Buzzi, apresentada por uma jovem de 18 anos. O encontro, convocado de última hora, durou cerca de quatro horas e foi marcado por forte tensão entre os magistrados. Ao final, o Pleno da Corte decidiu por unanimidade instaurar uma sindicância para apurar os fatos, além de encaminhar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) .
Durante a reunião, cogitou-se o afastamento imediato de Buzzi, mas a medida não foi formalizada. O ministro, que participou apenas do início da sessão, informou aos colegas que pediria licença médica, o que foi interpretado como uma saída para evitar constrangimentos em futuras sessões de julgamento. Segundo relatos, Buzzi deixou o encontro visivelmente abalado. Em nota oficial, ele negou as acusações, afirmando ter sido “surpreendido com o teor das insinuações” e que elas “não correspondem aos fatos”.
A denúncia, revelada inicialmente pelo portal Metrópoles, também foi encaminhada à polícia e ao CNJ. Integrantes da Corte consideram que a situação se tornou insustentável, já que o ministro não poderia continuar despachando processos enquanto o caso é analisado em diferentes instâncias. A decisão de instaurar a sindicância foi acompanhada da escolha de três ministros — Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antônio Carlos Ferreira — para conduzir a apuração interna.
O episódio reacende o debate sobre protocolos de conduta e transparência no Judiciário brasileiro, especialmente em casos de assédio. Especialistas apontam que a forma como o STJ lida com a denúncia poderá impactar diretamente a credibilidade da instituição. A expectativa é de que novas reuniões ocorram nos próximos dias, enquanto o CNJ e o STF acompanham os desdobramentos.
Com a sindicância instaurada e a repercussão nacional do caso, o STJ enfrenta uma das maiores crises institucionais recentes, colocando em evidência a necessidade de mecanismos mais claros de responsabilização e proteção dentro da Justiça.




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