União Europeia suspende importações de carne brasileira
- Luana Valente

- 10 de jun.
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Faep critica “morosidade do governo” e alerta para prejuízos ao setor

A União Europeia anunciou oficialmente a suspensão das importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro. A decisão, publicada em regulamento da Comissão Europeia, atinge carne bovina, aves, mel, equídeos, tripas e produtos de aquicultura. O bloco justifica a medida pela ausência de comprovação, por parte do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), de controles sanitários exigidos, especialmente no monitoramento do uso de antimicrobianos.
Em 2025, as exportações brasileiras desses produtos para a União Europeia somaram cerca de US$ 1,8 bilhão, dentro de um total de US$ 49,8 bilhões do agronegócio nacional destinados ao bloco. O embargo, portanto, representa um risco significativo para a balança comercial e para a credibilidade internacional da carne brasileira.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) reagiu com críticas contundentes. O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que “é inadmissível que nossos mercados sejam ameaçados por falta de agilidade e articulação diplomática”. Segundo ele, os produtores não podem ser penalizados pela “morosidade do governo” em fornecer os dados técnicos solicitados pela União Europeia. Meneguette destacou ainda que o Paraná é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021, e que o Brasil obteve o mesmo status em 2025, reforçando a qualidade sanitária da produção nacional.
O Ministério das Relações Exteriores informou que negociações seguem em andamento para tentar reverter a medida, com tratativas recentes realizadas em reuniões da OCDE em Paris. Entidades como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Abiec também se manifestaram, alegando que o embargo não decorre de falhas sanitárias, mas de divergências burocráticas sobre validação de processos oficiais.
O impasse coloca pressão sobre o governo brasileiro, que precisa agir rapidamente para evitar perdas bilionárias e preservar a imagem do agronegócio no mercado internacional. Estados como o Paraná, com forte participação nas exportações de carnes, podem ser diretamente afetados caso o bloqueio seja mantido.




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