Vereador preso em operação contra PCC pede afastamento do PT
- Luana Valente

- há 6 horas
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Senival Moura, apontado pela Polícia Civil como peça-chave em esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção, deixa temporariamente o partido para se dedicar à defesa.

O vereador Senival Moura (PT), em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, foi preso na última semana durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A investigação aponta que Moura teria papel central em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião Transportes e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com os investigadores, a empresa teria sido utilizada para movimentar recursos da facção criminosa. Conversas de WhatsApp analisadas pela polícia revelam repasses semanais de cerca de R$ 70 mil a integrantes do PCC. Embora não ocupasse cargo formal na companhia, Moura é descrito como alguém que exercia influência sobre a gestão por meio de uma cúpula paralela.
Um dos elementos mais contundentes da investigação foi a descoberta de uma carta na residência de Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, acusado de assassinar o presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge, em 2020. O documento sugere que Moura teria ordenado o desvio de R$ 15 milhões da empresa, o que teria motivado o homicídio após suspeitas de que os valores não retornaram ao PCC.
Diante da repercussão, Moura solicitou afastamento do Partido dos Trabalhadores, alegando que não deseja vincular o caso à legenda. O diretório municipal confirmou o pedido e encaminhou a situação à Comissão de Ética. Em nota, a defesa do vereador afirmou que ele não exerce funções de gestão na empresa há mais de seis anos e classificou a prisão como “profundamente injusta”.
A prisão de Moura, que ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e preside a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara, gera impacto direto na política paulistana, especialmente no setor de transportes, onde o parlamentar mantinha forte influência. O caso expõe indícios de infiltração do crime organizado em estruturas públicas e privadas, colocando indiretamente o PT na mira das investigações.




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