A proximidade que preocupa: Lula e o gesto com o STF
- Luana Valente

- 13 de mai.
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A entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de mãos dadas com a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, durante a posse de Kassio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, não pode ser tratada como um simples ato de cordialidade. Em um país onde a democracia se sustenta na independência entre Executivo, Legislativo e Judiciário, a simbologia desse gesto é politicamente imprudente e merece crítica.
Quando o chefe do Executivo transmite a ideia de proximidade excessiva com membros da mais alta Corte, abre espaço para interpretações de alinhamento institucional que comprometem a percepção de imparcialidade do Judiciário. O STF deve ser guardião da Constituição, livre de pressões ou influências políticas. A imagem de Lula caminhando de mãos dadas com uma ministra do Supremo sugere intimidade que ultrapassa os limites da boa convivência entre os Poderes.
A separação dos Poderes não é apenas um princípio jurídico abstrato: é a garantia de que nenhum deles se sobreponha ao outro. Gestos públicos como esse corroem a confiança da sociedade na neutralidade das instituições e alimentam narrativas de cooptação ou conluio. Em tempos de polarização, cada ato simbólico ganha peso e pode ser interpretado como tentativa de interferência.
O presidente da República tem o dever de preservar a imagem de independência das instituições. Ao protagonizar uma cena que sugere proximidade pessoal com o Judiciário, Lula fragiliza a credibilidade da separação dos Poderes e expõe a democracia a riscos desnecessários. O respeito institucional deve existir, mas precisa ser acompanhado de distância simbólica que assegure à população que o Judiciário permanece autônomo e imune às pressões políticas.
Esse episódio mostra que, mais do que discursos, são os gestos que revelam a postura de um governante diante da democracia. E nesse caso, o gesto foi equivocado.




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