"Vai contar tudo": Delação de Daniel Vorcaro entra na reta final
- Luana Valente

- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Acordo deve ser fechado na próxima semana e promete revelar detalhes de esquemas financeiros com impacto político e econômico

A delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master, entrou na fase decisiva e deve ser formalizada já na próxima semana. O acordo, que envolve a Polícia Federal e o Ministério Público, promete revelar detalhes sobre esquemas financeiros e pode ter impacto direto no cenário político e econômico do país.
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está preso desde março por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A delação busca esclarecer fraudes bilionárias ligadas ao banco e definir valores de ressarcimento. O empresário já assinou termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, etapa inicial para o acordo.
Entre os pontos centrais das negociações estão a admissão de crimes de lavagem de dinheiro, a concessão de imunidade parcial para familiares e a redução de pena em troca da colaboração. Um dos entraves tem sido a resistência do banqueiro em admitir envolvimento em organização criminosa e em incluir informações sobre ministros do Supremo.
De acordo com pessoas próximas às negociações, o acervo já reunido seria suficiente para compor diversos anexos em uma colaboração premiada. Entre os interlocutores, circula a frase: “Vorcaro vai contar tudo”.
A defesa sustenta que dispõe de um conjunto sólido e inédito de informações, construído a partir de dados da investigação, registros de mensagens de celular e lembranças pessoais do banqueiro. Esse material, segundo eles, revelaria conexões ainda não exploradas pelas autoridades.
Vorcaro declara estar arrependido, mas rejeita a acusação de ter participado de uma organização criminosa. Conforme relatos de quem acompanha o processo, ele afirma que apenas seguiu práticas comuns no mercado financeiro e pretende detalhar como esse ambiente teria contribuído para a asfixia do banco Master.
A expectativa é que o acordo traga implicações relevantes para o sistema financeiro, ao detalhar mecanismos internos de lavagem e corrupção, e para o cenário político, já que pode atingir nomes de diferentes espectros, do Planalto ao Centrão. Entre os elementos que devem ser apresentados estão mensagens em que aparecem referências a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fontes com acesso às tratativas afirmam que Vorcaro entregará sua versão dos fatos, cabendo à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República decidir se há indícios de crime.
Se homologada, a delação poderá reconfigurar o ambiente político e jurídico às vésperas das eleições gerais deste ano, tornando-se um dos episódios mais explosivos da conjuntura nacional.




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