Delegacias fechadas e “delegado remoto” ampliam crise na segurança pública do Pará
- Luana Valente

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Sindpol denuncia precarização do atendimento e cobra concurso para suprir déficit de policiais civis

O Sindicato dos Policiais Civis do Pará (Sindpol-PA) denunciou, em maio de 2026, que a falta de efetivo tem levado ao fechamento de delegacias durante noites, finais de semana e feriados, deixando mais de 500 mil pessoas desassistidas em áreas como Guamá e Cremação, em Belém. Segundo a entidade, unidades em bairros como Terra Firme e Jurunas suspendem atividades no período noturno, enquanto delegacias no interior, como a do Atalaia, estão abandonadas.
Para suprir a ausência de delegados, a gestão da Polícia Civil teria adotado o modelo de “delegado remoto”, em que o atendimento é feito por videoconferência. O sindicato critica a prática, acusando o governo de tentar “maquiar” a falta de servidores com soluções improvisadas, como o uso de inteligência artificial. Policiais civis relatam sobrecarga de trabalho e exaustão, o que impacta diretamente a segurança pública e o atendimento à população.
A Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol-PA) já havia se manifestado sobre o tema, defendendo que o atendimento remoto deveria ser apenas uma medida emergencial e não substituir a presença física de profissionais. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), por sua vez, afirma que vem ampliando investimentos, inaugurando novas delegacias — como a da Ilha de Cotijuba — e que os índices de criminalidade apresentaram queda em 2026.
Apesar disso, o Sindpol sustenta que a realidade no interior e em bairros da capital é de precarização. O Pará possui mais de 140 municípios, muitos deles com delegacias funcionando de forma intermitente ou fechadas. O déficit de policiais civis é estimado em milhares de servidores, e o sindicato exige providências urgentes da gestão da Polícia Civil e do governo estadual, incluindo concursos públicos e valorização da carreira.
O embate entre governo e entidades de classe expõe um conflito estrutural na segurança pública do estado: de um lado, a aposta em tecnologia e expansão de unidades; de outro, a denúncia de que sem efetivo humano, a população continua desassistida. Para o Sindpol, somente a realização de concursos e o reforço da presença policial poderão assegurar o direito dos cidadãos à segurança e à justiça.




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