Mafioso revela pacto entre PCC e máfia italiana
- Luana Valente

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Delação de Vincenzo Pasquino expõe como facção brasileira financiava metade da cocaína enviada para a Europa, em acordo com a ‘Ndrangheta

O mafioso italiano Vincenzo Pasquino, integrante da poderosa organização criminosa ‘Ndrangheta, revelou em delação premiada que o Primeiro Comando da Capital (PCC) financiava 50% da cocaína enviada para a Europa. O acordo, segundo ele, envolvia rotas pelo Porto de Santos e distribuição em regiões estratégicas da Itália, como a Calábria, Sicília e o norte do país, com valores que chegavam a €25 mil por quilo.
Pasquino foi preso em João Pessoa (PB), em maio de 2021, e transferido para a Penitenciária Federal de Brasília. Em novembro de 2023, iniciou sua colaboração com a Justiça brasileira e, em março de 2024, foi extraditado para a Itália, onde continuou a fornecer informações às autoridades antimáfia. Ele relatou que o consórcio criminoso foi firmado com famílias da ‘Ndrangheta, especialmente os Nirtas, de San Luca, e que a droga chegava ao porto de Gioia Tauro, antes de ser distribuída em diferentes regiões italianas.
De acordo com a delação, o PCC vendia a cocaína a €5.000 o quilo, que após custos portuários chegava a €7.500. Na Itália, o preço mínimo acordado era de €23.000 a €25.000 por quilo, garantindo lucros milionários para ambas as organizações. Pasquino também descreveu métodos sofisticados de ocultação da droga em navios, como esconder carregamentos sob a quilha com apoio de mergulhadores colombianos.
As informações fornecidas embasaram a Operação Samba, deflagrada em dezembro de 2024 no Brasil e na Itália, que mirou o consórcio criminoso. Em fevereiro de 2025, autoridades brasileiras interceptaram 815 quilos de cocaína escondidos em carga de café no Porto de Santos. A Justiça italiana considerou o depoimento de Pasquino confiável e relevante para desarticular parte da rede criminosa.
Condenado a 10 anos de prisão, Pasquino afirmou que decidiu colaborar após ser abandonado por aliados. Sua delação é considerada uma das mais detalhadas já feitas sobre a conexão entre o PCC e a máfia italiana, revelando a dimensão global do crime organizado e a força das rotas que ligam a América do Sul à Europa.




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