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Doleira da Lava Jato recebia R$ 70 mil mensais do PCC


Função era criar “estrutura contábil” para a facção


Estadão
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A Operação Janus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), trouxe à tona novas revelações sobre a atuação de Meire Bonfim da Silva Poza, conhecida nacionalmente por seu envolvimento na Operação Lava Jato. Segundo os promotores, a contadora recebia R$ 70 mil por mês para manter a estrutura contábil do braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do país.


Meire Poza já havia sido investigada na Lava Jato por sua proximidade com o doleiro Alberto Youssef, delator central do esquema de corrupção na Petrobras. Em 2018, ela foi presa na Operação Encilhamento, que apurou desvios bilionários da Previdência. Mais recentemente, seu nome ressurgiu na Operação Bazaar, onde foi acusada de operar um “balcão de negócios” dentro da Polícia Civil, utilizando relatórios do COAF para extorquir empresários.


De acordo com os investigadores, Meire Poza fazia parte de uma rede de doleiros que atuava para o PCC há pelo menos cinco anos. Sua função era organizar informações fiscais e patrimoniais, além de realizar operações de troca de dinheiro vivo por transferências bancárias (TEDs). Conversas interceptadas mostram sua ligação com Cléber Azevedo dos Santos, apontado como operador financeiro da facção.


A Justiça decretou a prisão preventiva de Meire Poza, que agora responde por sua ligação direta com a cúpula financeira do PCC. Os promotores destacam que ela tinha pleno conhecimento das atividades ilícitas dos operadores financeiros do grupo e que sua atuação foi essencial para manter a engrenagem contábil da facção.


O caso reforça a complexidade das conexões entre investigados da Lava Jato e o crime organizado. A presença de doleiros como Meire Poza na estrutura financeira do PCC evidencia como facções criminosas se profissionalizaram, utilizando especialistas em contabilidade e finanças para ocultar recursos e garantir a continuidade das operações ilícitas.

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