Empresas dos EUA pressionam governo contra tarifas sobre produtos brasileiros
- Luana Valente

- 7 de jul.
- 2 min de leitura
Gigantes como Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay alertam que sobretaxas de até 25% podem encarecer insumos, afetar cadeias de suprimentos e prejudicar consumidores americanos

Grandes corporações norte-americanas se mobilizaram para tentar barrar a inclusão de produtos brasileiros em uma lista de tarifas de até 25% que está em análise pelo governo dos Estados Unidos. Entre as empresas que enviaram pedidos formais ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) estão Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay. Todas argumentam que a medida teria impacto direto na economia americana, elevando custos e comprometendo cadeias de suprimentos estratégicas.
A Tesla solicitou a exclusão de insumos industriais brasileiros usados em veículos elétricos e baterias, destacando que não há produção doméstica suficiente para substituir esses materiais. A Coca-Cola, por sua vez, pediu isenção para derivados de laranja e limão, lembrando que a produção de cítricos na Flórida sofreu queda histórica e que o Brasil se tornou fornecedor essencial. Já a Nestlé defendeu a exclusão de produtos como café solúvel e colágeno bovino, ressaltando que não existe oferta interna capaz de suprir a demanda. O eBay também se posicionou contra as tarifas, afirmando que elas poderiam aumentar preços para consumidores americanos, especialmente no mercado de itens usados.
O debate ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. O governo Trump acusa o Brasil de adotar práticas comerciais que restringem o comércio norte-americano e chegou a classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais, o que elevou o clima de desconfiança. O Itamaraty acompanha o processo e aposta em negociação política para evitar o tarifaço.
As audiências públicas promovidas pelo USTR começaram em 6 de julho e devem preceder a decisão final, prevista para o dia 15. Enquanto isso, empresas alertam que a medida pode ter efeitos colaterais significativos: para os EUA, encarecimento de produtos e risco de desabastecimento; para o Brasil, retração nas exportações de alimentos e insumos industriais; e para o comércio global, mais um sinal de avanço do protecionismo.
Em resumo, o embate entre empresas americanas e o governo Trump expõe a interdependência econômica entre os dois países. Para as corporações, punir produtos brasileiros seria, na prática, prejudicar a própria economia norte-americana.




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