Michel Temer comenta caso Vorcaro: “Figura suave, mas exagerou”
- Luana Valente

- 7 de jul.
- 2 min de leitura
Ex-presidente fala sobre relação com o banqueiro investigado e critica pré-condenações no Brasil

O ex-presidente Michel Temer afirmou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso por fraude financeira, lhe pareceu uma “figura muito doce”, mas destacou que o empresário “exagerou” em suas atitudes. A declaração foi feita em entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL e Folha de S.Paulo, e repercutiu no meio político e econômico. Temer disse ter conhecido pessoalmente Vorcaro e ressaltou sua postura cordial, mas fez questão de separar a impressão pessoal das ações investigadas. “Uma coisa é ser figura suave e outra coisa são as atitudes. Eu acho que ele exagerou, evidentemente”, afirmou.
Vorcaro foi preso em março deste ano e responde por crimes contra o sistema financeiro. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master informou ter pago R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025. O ex-presidente, no entanto, declarou ter recebido “muitíssimo menos” e explicou que sua contratação tinha como objetivo buscar uma solução negociada para a crise da instituição, evitando intervenção direta do Banco Central. Segundo ele, tentou articular uma “liquidação privada” junto ao mercado, mas não obteve sucesso e se afastou do caso, acrescentando que o banco não quitou integralmente os valores previstos no contrato.
Além de comentar sobre Vorcaro, Temer criticou o que chamou de “pré-condenação” no Brasil, afirmando que investigados muitas vezes são tratados como culpados antes de decisão judicial. Para ele, é necessário respeitar o rito legal: investigação, indiciamento e eventual julgamento. O ex-presidente também fez uma autocrítica sobre a liberação das apostas esportivas durante seu governo. Disse não “aplaudir” a medida que abriu caminho para a regulamentação do setor, justificando que, à época, foi vista como alternativa à pressão pela legalização dos cassinos. “Foi um mal menor”, declarou, defendendo hoje uma regulamentação rigorosa e fiscalização especial.




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