EUA ampliam investigação contra o Brasil
- Luana Valente

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Além do Pix e da carne bovina, processo inclui ambiente digital, pirataria, desmatamento e trabalho forçado

Os Estados Unidos intensificaram a investigação comercial contra o Brasil, iniciada em julho de 2025 sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O processo, que deve se estender até 2026, já foi tema de encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington, e tem como alvos centrais o sistema de pagamentos instantâneos Pix e as exportações de carne bovina.
No caso do Pix, comerciantes norte-americanos alegam conflito de interesses, já que o Banco Central atua como regulador e operador da plataforma. Entre os pontos questionados estão o acesso privilegiado a dados, a obrigatoriedade de investimentos dos bancos no sistema e a exigência de destaque do ícone Pix em aplicativos bancários. Para os EUA, essas medidas favorecem o modelo brasileiro e prejudicam empresas estrangeiras, especialmente as bandeiras de cartões de crédito.
A carne bovina também está na mira. Associações comerciais defendem a suspensão das importações, alegando concorrência desleal e levantando preocupações ambientais e trabalhistas. O Brasil é um dos principais fornecedores de carne para os EUA, e uma eventual restrição teria impacto direto no agronegócio nacional.
Além de práticas comerciais como tarifas e cotas de importação, a investigação também se debruça sobre aspectos regulatórios brasileiros. Entre os pontos analisados estão leis sobre o ambiente digital, pirataria — o comércio popular da rua 25 de Março, em São Paulo, é citado no processo —, desmatamento e trabalho forçado e infantil. Tudo que possa representar desvantagem competitiva para os EUA no comércio internacional foi incluído no escopo da apuração.
Caso Washington conclua que o Brasil adota práticas desleais, tarifas adicionais poderão ser impostas sobre produtos brasileiros. Isso abriria espaço para empresas norte-americanas ampliarem sua presença no setor financeiro digital e reduziria a competitividade da carne brasileira no mercado externo.
O governo brasileiro, por sua vez, defende que o Pix é uma infraestrutura pública transparente, aberta inclusive a empresas estrangeiras. Lula buscou minimizar tensões durante sua visita a Washington, afirmando que o Brasil não representa ameaça econômica e que a relação comercial entre os dois países é historicamente favorável aos EUA. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a necessidade de afastar o que chamou de “lobby indevido” contra o sistema de pagamentos.
A disputa evidencia o choque entre inovação tecnológica e interesses comerciais. De um lado, o Pix, que revolucionou o sistema financeiro brasileiro e se expande internacionalmente; de outro, o agronegócio, setor vital para a economia nacional. Agora, com a inclusão de temas como pirataria, desmatamento e trabalho infantil, o processo ganha contornos mais amplos e complexos, podendo redefinir a posição do Brasil no comércio global.




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