EUA confirmam tarifas contra produtos brasileiros
- Luana Valente

- 16 de jul.
- 2 min de leitura
Anúncio de Jamieson Greer amplia tensão comercial e gera reação imediata do governo Lula

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O anúncio foi feito por Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), e endossado pelo presidente Donald Trump. A medida, que deve entrar em vigor no próximo dia 22 de julho, representa um novo capítulo de tensão nas relações bilaterais e ameaça setores estratégicos da economia brasileira.
Segundo Greer, as negociações com o Brasil foram encerradas sem avanços e as tarifas são necessárias para “proteger trabalhadores e empresas americanas”. A decisão foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que autoriza retaliações contra práticas consideradas injustas. Entre os pontos de atrito estão o comércio digital, o sistema de pagamentos Pix, o acesso ao mercado de etanol, questões de propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal.
Do lado brasileiro, a reação foi imediata. O Itamaraty classificou o anúncio como um “marco lastimável” nas relações comerciais e estuda acionar a Lei da Reciprocidade, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota, o governo destacou que foram realizadas mais de 30 reuniões de negociação com autoridades americanas, incluindo 11 encontros diretos com Greer e o secretário de Estado Marco Rubio, sempre por iniciativa brasileira.
Os impactos econômicos são significativos: cerca de 21% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas. Produtos como café, suco de laranja e carnes estão entre os mais atingidos, enquanto setores como o agronegócio de grãos, a indústria aeronáutica e os produtos farmacêuticos ficaram de fora da taxação, compondo uma lista de exceções. Empresários brasileiros já manifestam preocupação com perdas bilionárias e retração de mercados.
A disputa também ganhou contornos políticos. Marco Rubio culpou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela medida, afirmando que o Brasil não negociou “de boa-fé”. O Planalto, respondeu acusando Washington de ignorar propostas de acordo.
Com a entrada em vigor das tarifas, especialistas avaliam que o Brasil poderá buscar novas parcerias comerciais para reduzir a dependência do mercado americano.




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