Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após operação da PF, mas STF barrou transação
- Luana Valente

- 20 de jul.
- 2 min de leitura
Senador baiano foi alvo da Operação Compliance Zero e viu tentativa de negociação imobiliária ser bloqueada por decisão judicial; defesa alega que contratos estavam em andamento desde 2024

O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões apenas um dia após ser alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, mas a transação foi impedida por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cartório de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, recebeu a escritura de compra e venda em 19 de junho, mas não pôde registrar a transferência devido ao bloqueio de bens determinado pelo STF.
A operação da PF, deflagrada em 18 de junho, apura suspeitas de recebimento de propina e favorecimento de interesses ligados ao Banco Master. Wagner, que até então ocupava a liderança do governo no Senado, foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou deixando o posto por pressão política após o avanço das investigações.
O terreno em questão, de 51 mil metros quadrados, havia sido adquirido pelo senador em 2000 por R$ 28 mil. A negociação atual previa a venda para a Lagoons Empreendimentos, ligada ao Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia. Além desse imóvel, Wagner também negociava a venda de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 10 milhões, cuja transação igualmente foi bloqueada pelo STF.
Segundo a defesa do parlamentar, não houve irregularidade nas operações. Os advogados afirmam que os contratos começaram a ser discutidos em 2024 e foram formalizados em 2025, incluindo permuta por lotes do empreendimento e pagamento antecipado de R$ 2 milhões, devidamente declarado à Receita Federal. Corretores de imóveis, no entanto, apontam que o valor de mercado do terreno seria inferior ao acordado, estimado em até R$ 12 milhões.
Com o bloqueio judicial, Wagner enfrenta não apenas restrições patrimoniais, mas também desgaste político. A investigação reforça a pressão sobre o governo e abre espaço para questionamentos sobre a relação entre figuras de destaque do PT e interesses empresariais.




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