Justiça revoga prisão de Wesley Suspencar: “Não vão me calar, eu sou o povo”
- Luana Valente

- 1 de jun.
- 2 min de leitura
Influenciador deixa unidade prisional em Rio Verde e promete seguir denunciando irregularidades

A Justiça de Goiás revogou nesta quinta-feira (28) a prisão do influenciador digital Wesley Suspencar, que havia sido detido em Rio Verde após gravar vídeos em um cemitério questionando a retirada de ossadas de sepulturas abandonadas. A decisão foi tomada após intensa repercussão do caso e manifestações de apoiadores, que denunciaram perseguição política e falta de transparência da gestão municipal.
Suspencar deixou a unidade prisional no fim da tarde e, ao ser recebido por familiares e seguidores e ressaltou: “não vão me calar, eu sou o povo”. Seguindo com discurso emocionado, ainda afirmou que continuará denunciando irregularidades na cidade. “Fiquei três dias preso e saí com a cabeça erguida. Sou um cidadão como qualquer um de vocês e tenho direito de levantar e questionar o que está errado”, declarou.
A prisão havia ocorrido na última terça-feira (26), quando o influenciador foi acusado de desacato, constrangimento de servidores públicos e atentado contra o funcionamento de serviços de utilidade pública. A defesa alegou que a detenção foi arbitrária e que Wesley apenas exercia seu direito de fiscalizar e denunciar práticas que considerava abusivas.
Com mais de 170 mil seguidores nas redes sociais e histórico de participação política — já tendo disputado vaga na Câmara Municipal pelo Democracia Cristã — Suspencar é conhecido por cobrar melhorias em Rio Verde por meio de transmissões ao vivo e vídeos críticos. Sua atuação digital ampliou o alcance das denúncias e mobilizou moradores, que se revoltaram com a forma como ossadas estavam sendo retiradas dos cemitérios, muitas vezes sem aviso prévio às famílias.
A legislação brasileira prevê que exumações só podem ocorrer após prazos mínimos de sepultamento e mediante autorização administrativa, familiar ou judicial. Em Rio Verde, uma lei municipal de 2023 autorizou a criação de um ossário para restos mortais de sepulturas abandonadas há mais de cinco anos, mas a execução do processo gerou indignação popular.
A mobilização em torno do caso de Wesley Suspencar evidencia a força das redes sociais na política local e a tensão entre poder público e sociedade civil. Para seus apoiadores, a prisão reforçou a imagem de um influenciador que desafia autoridades e dá voz às demandas da comunidade.




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