PGR pede perícia da PF em mensagens atribuídas a Mauro Cid sobre delação premiada
- Luana Valente

- há 3 horas
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Conversas entregues pela defesa de Marcelo Câmara ao STF levantam dúvidas sobre a voluntariedade do acordo firmado pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Polícia Federal (PF) realize uma perícia em mensagens atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid, envolvendo o advogado de Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro. O pedido foi feito pelo procurador-geral Paulo Gonet, que destacou a necessidade de confirmar a autenticidade dos diálogos e identificar quem de fato utilizava os perfis investigados.
As mensagens foram apresentadas pela defesa de Câmara, que entregou ao STF áudios e capturas de tela de supostas conversas mantidas com Cid via Instagram entre o fim de 2023 e fevereiro de 2024. Em uma delas, o militar teria enviado uma selfie para confirmar sua identidade. O advogado Eduardo Kuntz, responsável pela defesa, argumenta que o material demonstra que a colaboração premiada de Cid não teria sido feita de forma totalmente voluntária, o que poderia fragilizar sua validade.
Além da perícia, a PGR pediu que a Secretaria Judiciária do STF reúna documentos relacionados ao caso e verifique decisões judiciais ou respostas de empresas de tecnologia sobre os perfis investigados, incluindo contas ligadas ao e-mail “maurocid@gmail.com” e ao perfil “@Gabrielar702”.
O ministro Alexandre de Moraes já havia determinado a abertura de inquérito para apurar se houve tentativa de acesso a informações sigilosas sobre o acordo de delação de Cid. A suspeita é que Marcelo Câmara e seu advogado tenham buscado detalhes protegidos da colaboração.
Marcelo Câmara é apontado como integrante do chamado “núcleo 2” da suposta trama golpista, responsável por elaborar a “minuta do golpe” e monitorar Moraes durante as eleições de 2022. Mauro Cid, por sua vez, tornou-se peça central nas investigações ao firmar acordo de colaboração premiada, fornecendo informações sobre articulações políticas e militares no entorno de Bolsonaro.
O desfecho da perícia da PF será decisivo para definir se a delação de Cid permanece válida ou se será questionada judicialmente, com impacto direto nos rumos das investigações sobre o ex-presidente e seus aliados.




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