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Barroso e o apoio dos EUA: declaração antiga volta ao centro do debate após veto a diplomatas norte-americanos


Evaristo Sá / AFP
Evaristo Sá / AFP

A declaração feita em maio de 2025 pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, voltou a ganhar repercussão nesta semana. Na ocasião, durante evento em Nova Iorque, Barroso admitiu ter solicitado ao governo dos Estados Unidos manifestações públicas de “apoio à democracia brasileira” em momentos de tensão institucional. Segundo ele, tais posicionamentos ajudaram a conter pressões internas, já que “os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos”.


“Eu mesmo, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, estive com o encarregado de negócios americanos, tive muitas vezes, mas em três vezes, eu pedi declarações dos Estados Unidos de apoio à democracia brasileira, uma delas no próprio Departamento de Estado, e acho que isso teve algum papel, porque os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos”, declarou Barroso.


O vídeo ressurgiu nas redes sociais logo após o governo brasileiro negar vistos de entrada a dois diplomatas do Departamento de Estado norte-americano, Riley Barnes e Samuel Samson, que participariam de uma missão em Brasília. A agenda previa discussões sobre integridade eleitoral e liberdade de expressão, mas foi interpretada pelo Itamaraty como possível ingerência externa. O Departamento de Estado, por sua vez, afirmou que a visita fazia parte de atividades rotineiras do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), negando qualquer intenção de interferência no processo eleitoral brasileiro.


A recusa de vistos ocorre em um contexto em que o Brasil tradicionalmente recebe missões de observadores internacionais em períodos eleitorais. Reportagem do The Washington Post destacou que a missão americana poderia abordar questionamentos sobre o sistema de urnas eletrônicas, tema recorrente no debate político nacional. O TSE informou que pretende realizar encontros com representantes diplomáticos de diversos países, incluindo os EUA, para apresentar dados sobre o funcionamento das urnas.


O contraste entre os episódios — o pedido de apoio de Barroso em 2025 e a negativa de vistos em 2026 — evidencia a complexidade das relações em torno das eleições deste ano. De um lado, há o histórico de busca por respaldo internacional em momentos de crise institucional; de outro, a atual tentativa do governo de justificar um suposto ataque a “soberania” por meio de influência externa. O caso reforça como a política eleitoral brasileira segue sendo observada de perto no cenário internacional e como a questão da integridade das eleições permanece sensível tanto dentro quanto fora do país.



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