Empresa de Trump liga Moraes a escândalo do Banco Master em ação nos EUA
- Luana Valente

- 3 de fev.
- 2 min de leitura
Contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes é usado como argumento em processo judicial

Em uma ação que tramita na Justiça da Flórida, a Trump Media & Technology Group, controlada pelo presidente Donald Trump, e a plataforma Rumble apresentaram documentos que associam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ao escândalo do Banco Master. O pedido busca autorização para que Moraes seja notificado por e-mail, alegando que os canais formais de comunicação com o magistrado no Brasil estariam bloqueados, o que teria dificultado o andamento do processo desde meados de 2025.
Os advogados da empresa destacaram a divulgação, no Brasil, de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes. O banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, foi colocado em liquidação pelo Banco Central após a identificação de irregularidades graves, incluindo a transferência de ativos fictícios para o Banco de Brasília (BRB), o que teria exposto instituições públicas a perdas bilionárias.
“O Banco Master, controlado por um empresário brasileiro chamado Daniel Vorcaro, foi colocado em liquidação pelo Banco Central do Brasil após reguladores identificarem irregularidades graves, incluindo a transferência de grandes volumes de ativos fictícios para um banco estatal chamado BRB, expondo instituições públicas brasileiras a perdas reportadas na ordem dos bilhões de dólares”, afirma o advogado de Trump, Martin De Luca, na solicitação.
“O Banco Master havia firmado um contrato no início de 2024 para pagar aproximadamente US$ 23 milhões ao longo de três anos ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do réu, por uma representação legal e ‘institucional’ amplamente definida perante tribunais, reguladores e órgãos legislativos. O contrato previa pagamentos na ordem de aproximadamente US$ 700 mil por mês ao escritório de advocacia, embora o escritório não pareça ter realizado trabalhos substanciais”, destacou De Luca, na solicitação.
O processo movido pela Trump Media e pela Rumble questiona decisões de Moraes relacionadas a ordens de bloqueio e censura de plataformas digitais no Brasil. As empresas alegam que tais medidas violariam tratados internacionais e buscam responsabilizar o ministro em território norte-americano. A inclusão do contrato com o Banco Master é apresentada como evidência de uma suposta blindagem institucional que dificultaria a responsabilização de Moraes no Brasil.
A tentativa de notificação por e-mail reflete a dificuldade das empresas em avançar com o processo. Caso seja aceita, poderá abrir precedente para que autoridades brasileiras sejam citadas diretamente em ações internacionais. O episódio também intensifica a tensão entre o STF e setores políticos e empresariais ligados a Trump, ampliando a repercussão do escândalo do Banco Master no cenário internacional.




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