EUA classificam condenação de Eduardo Bolsonaro como “perseguição”
- Luana Valente

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Departamento de Estado afirma que decisão do STF representa uso político do Judiciário brasileiro

O governo dos Estados Unidos reagiu de forma contundente à condenação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota enviada à agência Reuters, o Departamento de Estado classificou a decisão como “perseguição” e acusou o Judiciário brasileiro de agir de maneira politicamente motivada contra a oposição.
A condenação, definida pela Primeira Turma do STF, impôs ao parlamentar 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, além de multa e inelegibilidade por oito anos. Os ministros entenderam que Eduardo tentou coagir integrantes da Corte por ter buscou apoio junto ao governo norte-americano para dividir a situação dos processos envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, dos presos políticos pelos atos do oito de Janeiro, dos jornalista e políticos que se encontram exilados nos EUA e outros países.
Desde março de 2025, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos e já havia solicitado ao governo Trump novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, com base na chamada Lei Magnitsky, que permite punições a autoridades estrangeiras acusadas de abusos de poder.
Em sua manifestação, o porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a decisão do STF é “o mais recente exemplo de perseguição e manipulação jurídica contra a oposição política”, acrescentando que “debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações judiciais”. O presidente Donald Trump também comentou o episódio, ainda que tenha confundido Eduardo com seu irmão Flávio Bolsonaro, reforçando críticas ao cenário político brasileiro.
A repercussão internacional reacende tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Em 2025, o governo Trump chegou a aplicar tarifas sobre produtos brasileiros e sancionar Alexandre de Moraes, incluindo bloqueio de bens e cancelamento de vistos. Parte dessas medidas foi posteriormente revista após negociações diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, com a nova condenação e a reação norte-americana, cresce a expectativa sobre possíveis novas sanções e impactos nas relações bilaterais.
O episódio insere-se em um ambiente de forte polarização política no Brasil. Críticos da decisão afirmam que o STF estaria extrapolando seu papel ao atuar como árbitro político.




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