Lula aconselha Moraes a se declarar impedido em caso Master
- Luana Valente

- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Presidente citou contrato do banco com escritório da esposa do ministro do STF durante entrevista ao ICL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (8), em entrevista ao portal ICL, que aconselhou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a se declarar impedido em processos relacionados ao caso Banco Master. O motivo, segundo Lula, seria o contrato da instituição financeira com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do magistrado.
Durante a conversa, Lula disse ter alertado Moraes sobre os riscos de desgaste à sua imagem:
"Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia", declarou Lula.
"Primeiro porque você não estava advogando no seu escritório há quase 15 anos, porque foi secretário da Justiça, foi ministro do Michel Temer, estava fora. Mas a sua mulher estava advogando, diga que: 'A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença para mim, eu só prometo que aqui na Suprema Corte, em caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa'. Alguma coisa que passe para sociedade uma firmeza, que ele [Moraes] tem", completou.
O Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, é alvo de investigações por supostas fraudes bilionárias. As declarações do presidente Lula surgem em meio a informações da Receita Federal encaminhadas à CPI do Crime Organizado, que indicam que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Até agora, o magistrado não se pronunciou sobre os dados nem sobre a fala do presidente.
O episódio ganhou novos contornos após relatos de que Moraes teria viajado em aeronaves vinculadas a empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco. O gabinete do ministro, entretanto, rejeitou as acusações e classificou as informações como inverídicas.
Esse conjunto de revelações intensifica o debate sobre possíveis conflitos de interesse no Judiciário e coloca em evidência a pressão política e institucional em torno do caso Master.




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