Mendonça e CPMI do INSS reagem à troca de delegado da PF que investigava Lulinha
- Luana Valente

- 16 de mai.
- 2 min de leitura
Ex-relator Alfredo Gaspar alerta para risco de interferência política em apurações sensíveis

A substituição do delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações sobre fraudes bilionárias no INSS e o suposto envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, provocou forte reação no meio político e jurídico. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator dos casos, demonstrou desconforto por não ter sido informado previamente da mudança e cobrou garantias de independência na condução das apurações.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que havia solicitado a quebra de sigilo bancário de Lulinha e comandava a prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi substituído pela Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), setor especializado em casos que tramitam no STF. A Polícia Federal justificou a alteração como medida administrativa para dar maior eficiência às investigações, assegurando que a equipe técnica permanece a mesma.
A decisão, no entanto, gerou críticas imediatas. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ex-relator da CPMI do INSS, afirmou que “não pode existir investigação sob suspeita de interferência política” e lembrou que havia pedido o indiciamento de Lulinha durante os trabalhos da comissão. Já Carlos Viana (Podemos-MG), ex-presidente da CPMI, enviou ofício ao diretor-geral da PF solicitando explicações sobre a troca.
No Congresso, parlamentares da oposição protocolaram requerimentos para convocar a direção da PF e acionaram a Procuradoria-Geral da República, alegando risco de aparelhamento. O caso reacende o debate sobre a autonomia da Polícia Federal e a necessidade de transparência em investigações que envolvem familiares de autoridades.
As apurações apontam que o “Careca do INSS” teria liderado um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, movimentando valores bilionários. Depoimentos indicam que Lulinha seria beneficiário de pagamentos mensais de R$ 300 mil, o que levou Mendonça a autorizar medidas como a quebra de sigilo bancário.
Com a mudança de comando, cresce a pressão para que a PF demonstre independência e eficiência, evitando qualquer suspeita de interferência política e garantindo credibilidade às investigações.




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