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Jornalista maranhense denuncia foco da investigação do STF em sua atuação



Luís Pablo afirma que apurações se concentram nele e em sua fonte, em vez de investigar denúncias sobre uso de veículos oficiais por familiares de ministro


Reprodução
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O jornalista Luís Pablo, conhecido por sua atuação investigativa no Maranhão, voltou a se pronunciar sobre a investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o processo tem se concentrado em sua figura e na identificação de sua fonte, deixando em segundo plano as denúncias que publicou sobre o suposto uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino, hoje integrante da Corte.


A operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes incluiu busca e apreensão na residência de Pablo, com a coleta de celulares e computadores. A partir desses equipamentos, a Polícia Federal identificou o ex-secretário Raimundo Cutrim como responsável por repassar informações ao jornalista. Em agosto, novos mandados foram cumpridos contra Cutrim, acusado de ser a origem das reportagens.


Em sua manifestação, Pablo reforçou que “a investigação está centrada em mim, em vez de se direcionar para as informações denunciadas”. Para ele, o cerne deveria ser o uso de bens públicos por autoridades e seus familiares, e não a criminalização da atividade jornalística.


“Eu sou jornalista, fiz uma denúncia de interesse público, apresentei documentos, apresentei imagens e mostrei o uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Mas o fato que eu denunciei não foi investigado. Quem passou a ser investigado fui eu”, declarou.


“Depois que uma fonte é identificada dentro de uma investigação, quem vai se sentir seguro para me procurar para entregar uma informação?”, também questionou o jornalista.


A reação de entidades ligadas à imprensa foi imediata. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas do Maranhão e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificaram a quebra do sigilo da fonte como “grave” e uma ameaça à liberdade de imprensa. O artigo 5º da Constituição Federal garante esse direito como proteção essencial ao exercício da profissão.


O episódio ocorre em meio a tensões políticas locais, envolvendo grupos ligados a Flávio Dino e ao governador Carlos Brandão. Críticos apontam que a investigação contra Pablo e sua fonte reflete essa disputa, ampliando a percepção de perseguição política.


Especialistas alertam que a quebra do sigilo da fonte pode criar precedentes perigosos, intimidando jornalistas e informantes, além de reforçar a judicialização da atividade jornalística. O caso, que já repercute nacionalmente, reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário e os riscos à liberdade de imprensa no Brasil.



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